Aprendendo a me colocar no mundo como consultora
- Gisele Maria Arcanjo
- 14 de jan.
- 2 min de leitura
Durante muito tempo, estive confortável nos bastidores. O estudo, a organização das ideias, a leitura atenta e a construção silenciosa sempre fizeram parte da minha forma de trabalhar. Há quem veja isso como cautela excessiva; para mim, sempre foi cuidado. Mas iniciar uma consultoria traz um movimento inevitável: chega um momento em que é preciso sair desse lugar mais protegido e aprender a se colocar no mundo.
Colocar-se no mundo não é apenas aparecer. É assumir uma posição. É dizer, com clareza e responsabilidade, o que se faz, como se faz e a partir de quais valores. No meu caso, esse passo não vem acompanhado de promessas rápidas ou discursos prontos. Ele vem carregado de perguntas, revisões e escolhas conscientes.

Tenho refletido bastante sobre o que significa me apresentar como consultora em Arquivologia. Não se trata apenas de oferecer um serviço, mas de tornar visível uma trajetória construída ao longo de anos de estudo, prática profissional e reflexão crítica. Existe um cuidado grande em não transformar esse percurso em algo superficial ou meramente comercial. A Arquivologia exige compromisso com processos, contextos e pessoas — e isso precisa aparecer também na forma como me coloco.
Esse processo tem me ensinado muito sobre linguagem. Como explicar meu trabalho sem simplificá-lo demais? Como torná-lo compreensível sem perder densidade? Como falar de mim sem cair em autopromoção? Essas perguntas me acompanham diariamente e fazem parte da construção dessa presença profissional.
Há também um desconforto legítimo em se expor. Falar do próprio trabalho exige coragem, principalmente quando se escolhe um caminho mais ético e educacional. Existe o medo de parecer invisível em um mundo que valoriza ruído e velocidade, mas também o receio de ultrapassar limites e perder coerência. Tenho aprendido que esse equilíbrio não se resolve de uma vez; ele é construído aos poucos, com escuta, observação e ajustes constantes.
Aos poucos, vou entendendo que buscar clientes não é convencer ninguém. É estar disponível. É permitir que o outro reconheça afinidade no modo como penso, escrevo e atuo. É confiar que a relação profissional nasce do encontro entre necessidade e propósito, não da insistência.
Colocar-me no mundo como consultora, hoje, é um gesto de abertura consciente. É apresentar o que foi construído com método, respeito e intenção, sem pressa de chegar a algum lugar específico. Sigo dando passos cuidadosos, acreditando que visibilidade também pode ser construída com calma, consistência e verdade.




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