Por que escolhi começar com calma
- Gisele Maria Arcanjo
- 18 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Começar uma consultoria traz junto uma energia curiosa: entusiasmo por criar algo novo e, ao mesmo tempo, um certo incômodo silencioso, provocado pela comparação constante com o ritmo alheio. Histórias de sucesso rápido, agendas cheias e promessas de resultados imediatos vão surgindo aos poucos, mesmo quando a gente tenta não ouvir.
Em meio a esse barulho externo, precisei fazer uma escolha consciente: começar com calma.

A Arquivologia sempre me ensinou que processos sólidos não se constroem às pressas. Organizar, avaliar, classificar e preservar exigem tempo, método e responsabilidade. Nada do que é realmente duradouro nasce do improviso. Ao olhar para minha própria trajetória, percebi que seria incoerente aplicar ao meu trabalho um ritmo diferente daquele que sempre defendi na teoria e na prática.
Começar devagar, para mim, não significa falta de ambição ou insegurança. Significa respeito. Respeito ao conhecimento que construí ao longo dos anos, às pessoas que futuramente confiarão em mim e à própria área que escolhi para atuar. Antes de abrir portas, senti a necessidade de organizar a casa com cuidado: revisar conteúdos, estruturar metodologias, alinhar valores e refletir sobre o tipo de atuação que quero exercer.
Essa escolha também tem um aspecto profundamente pessoal. Ao desacelerar, consigo ouvir melhor a mim mesma, reconhecer limites, acolher inseguranças e transformar ansiedade em preparação. Existe uma tranquilidade especial em aceitar que cada processo tem o seu tempo — e que não há problema algum em não estar pronta para tudo agora.
Hoje, começar com calma é a forma que encontrei de permanecer fiel a quem eu sou e à profissional que desejo ser. É um compromisso com a qualidade, com a ética e com a consciência de que bons trabalhos não se medem pela pressa, mas pela solidez do que se constrói ao longo do caminho.
Sigo caminhando, com atenção, presença e paciência. Algumas escolhas não precisam ser justificadas ao mundo — apenas honradas internamente.



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